Autoridade Máxima do Treinador

Lição nº 2

PONTOS POSITIVOS (+) E NEGATIVOS (-)

DO NÍVEL 2 de PODER & AUTORIDADE

“Os atletas só darão 100% da sua mente, quando o treinador começar a conquistar 50% do seu coração.”

 

Na Lição nº1 (clica aqui para ver), partilhei alguns pontos positivos e negativos de assumir uma Liderança de nível 1, ou seja, a liderança a que temos acesso apenas e só por aceitar o cargo de ser Treinador.

 

Falei sobre como poderias melhorar através da mudança de 4 ideias e convicções e definimos um plano simples de 10 acções que poderias fazer para avançar para o nível 2 de liderança.

E é disso que vou abordar hoje.

 

O que é o nível 2 de Liderança, quais os pontos positivos e negativos deste nível, algumas ideias e convicções para subir de nível para o nível 3 de PRODUTIVIDADE e ainda, um plano de ação simples para a LIDERANÇA DE RELAÇÕES.

 

Estamos prontos?

Vamos a isto…

Subir do nível 1 para o 2 é o verdadeiro “primeiro” passo (a sério) na liderança.

E a questão é, porquê que se diz isto?

… porque a liderança é, e apenas só, influência.

 

E no primeiro nível, a POSIÇÃO não é um bom truque para criar influência nos atletas e outras pessoas envolventes, até porque estes irão fazer porque tem de ser feito, para poderem pertencer à equipa, não necessariamente pelos nossos lindos olhos como treinadores.

Quando começamos a trabalhar ao nível 2 das RELAÇÕES, os atletas começam a fazer porque querem e não porque são obrigados.

 

Esta será a primeira base para liderar um grupo.

 

Os atletas querem saber primeiro se o treinador se preocupa com elas e só depois se entregam a dar mais.

Trabalhar ao nível 2 significa, usar as RELAÇÕES para quebrar barreiras, criar laços e a darem-se também com os seus parceiros num nível mais profundo.

As relações também vão ajudar o treinador a posicionar-se no mercado de trabalho.

São as RELAÇÕES que provocam um maior interesse dos diretores em utilizar a confiança de já conhecerem um determinado treinador para o convidar a assumir um cargo.

 

Ou mesmo, a profundidade das RELAÇÕES que criamos com colegas que fazem com que por vezes, sejamos recomendados para determinadas propostas.

Ter uma RELAÇÃO com os atletas dá a abertura para que eles permitam que os lidere verdadeiramente.

Vamos avançar para os pontos positivos do nível 2 da Liderança -» RELAÇÕES:

A liderança com RELAÇÕES torna o ambiente mais agradável.

O líder que consegue entrar neste nível, deixa de usar o EU para usar o NÓS. Enquanto o líder da POSIÇÃO usa o estatuto e a posição para comandar, este líder começa a usar a relação e a reciprocidade para tratar as pessoas como indivíduos e conquistam-nas pelas interações. Isto ajuda a mudar o ambiente. O líder ao subir a este nível gosta que os seus atletas, colegas e pessoas envolventes tenham sucesso.

Subir ao nível 2 aumenta a Energia da Equipa.

Passar tempo com pessoas que não gosta ou não conhece vai-lhe roubar energia. Chegamos a casa esgotados depois dos treinos. Agora se desenvolvermos laços, criarmos momentos para conhecer os atletas, para que os atletas se conheçam a si mesmos, gastamos energia para mais cedo ou mais tarde aumentarmos a energia por nos darmos com pessoas que conhecemos e com quem gostamos de estar. E neste tipo de relações, os atletas dão mais porque sabem que o treinador quer o melhor para eles.

Quando se instala no nível 2, começa a melhorar os canais de comunicação entre os elementos da equipa.

Quando estabelecemos RELAÇÕES abrimos canais de comunicação, ou seja, o canal deixa de ser unidirecional entre o treinador e a equipa e passa a poder usufruir de canais entre atletas, entre as pessoas envolventes. Começam a ouvir-se uns aos outros, e a falar sobre as suas dificuldades e as facilidades. Novas informações começam a fluir para que também o treinador possa usar isso na comunicação com a equipa e aumentar a sua influência.

Quando o treinador fala mais do que ouve vai contra a natureza… porque temos 2 ouvidos e 1 boca. Isto significa que para alguém nos ouvir, nós precisamos de saber o que mexe com aquela pessoa, precisamos de ouvir primeiro como funciona o mundo interno dessa pessoa para depois conseguirmos aumentar a nossa influência através do que dizemos.

 

Quando estamos a liderar pela POSIÇÃO, nem sempre as pessoas querem ouvir um monólogo, e o líder tende a usar a comunicação para falar do que ele quer, não do que os atletas querem ouvir, não do que os atletas precisam de ouvir, não do que os atletas vão ser capazes de fazer através das suas próprias motivações.

A comunicação do líder passa a ser mais direcionada para as necessidades dos atletas, para que depois sejam direcionadas para a ação que o treinador precisa que eles façam.

 

O treinador neste nível, ouve mais do que fala. Ouve o dobro do que fala, mas quando comunica, comunica com precisão, na direção certa.

Sobe-se ao nível 2 quando se valoriza cada um dos indivíduos que estão nos atletas

Não existe nada que seja mais animador para alguém do que ser respeitado e valorizado. A vida já é dura o suficiente lá fora.

 

Os atletas sentem-se pequenos, inseguros, perdidos e desvalorizados na escola ou nas suas vidas pessoais. Mesmo quando se tornam grandes profissionais, esses sentimentos continuam lá, mas apenas estão escondidos por detrás de “posses” em forma de dinheiro ou em forma de bens.

 

Mas as sensações continuam lá. Os atletas não precisam de mais “um” que lhes diga o que têm de fazer. Eles precisam de alguém que os valorize, que lhes dê segurança, que lhes faça sentir especiais.

 

E isso não é por jogar ou não jogar.

 

Estamos a falar das RELAÇÕES que criamos fora do campo. Fora do campo para gerar mais influência no balneário e depois sim, nos treinos. O treinador é o grande responsável, seja principal ou adjunto, de acrescentar valorização a cada uma das pessoas por detrás dos seus atletas.

A liderança através das RELAÇÕES gera confiança

A maior parte dos treinadores procuram mais impressionar os seus atletas com os seus conhecimentos e com as suas competências do que em ter integridade para gerar confiança na relação com os atletas.

 

A verdade é a base da confiança. Sermos nós próprios, ajuda a criar relações fora do impressionismo para procurarmos sermos mais do que a porcaria que muitos de nós sente por dentro sobre si mesmo. Criar estas RELAÇÕES são importantes no meio em que os resultados são tão incertos como no desporto.

Nem sempre as coisas vão estar bem. E quando estamos mal, temos a tendência de nos aproximarmos de quem nos dá confiança. Na tempestade os atletas procuraram abrigo, onde sabem que poderão contar consigo. Vejo alguns treinadores a fazer exatamente o contrário, a procurar “culpar” os atletas quando uma competição não corre bem, sem fundamento, apenas para sacudir a água do capote.

A confiança vai gerar segurança para que os atletas se sintam capazes de participar activamente, questionem, respondem a questões, arrisquem entre muitas outras coisas. A confiança é a base do trabalho em equipa.

Mas subir ao próximo nível de liderança, também traz consigo pontos negativos:

Existem pessoas que acham que ter uma liderança direcionada a RELAÇÕES significa ser um líder TENRINHO.

Existem diretores, presidentes ou adeptos na alta competição que são mais direcionados para a ação, que podem achar que fazer RELAÇÕES é uma boa maneira do treinador mostrar fraquezas.

 

Estes líderes querem passar logo para o nível 3, ou seja, da PRODUTIVIDADE mas nunca conseguem passar o nível da POSIÇÃO porque não estabeleceram as RELAÇÕES certas.

 

Até pode ter algum resultado inicial mas, mais cedo ou mais tarde terá que afastar os atletas ou estará a esgotá-los.

 

Agora outro aspeto importante, também um treinador que comece logo com as RELAÇÕES não consegue chegar ao próximo nível porque não quer sair do conforto e entrar em zonas de conflitos, significando por isso, dificuldade em ter PRODUTIVIDADE.

Atletas e Diretores proativos podem se sentir frustradas com um treinador RELACIONAL.

Estes querem tudo para ontem, e criar relações precisa de tempo. O que o treinador não pode fazer é criar RELAÇÕES como um fim, mas como meio para resultados. Caso contrário, os atletas dominantes ou um diretor dominante terá tendência para avançar para a frente e ultrapassar o treinador.

 

Mas se não criares as RELAÇÕES certas durante o processo, porque estás a ter alguns resultados, muitos dos teus atletas, adeptos ou diretor, quererá que tu caias mais cedo ou mais tarde, apesar de enquanto houver resultados eles não dizerem nada.

Quando se lidera a partir de RELAÇÕES há quem se aproveite.

Há atletas que podem ver a gentileza como uma fraqueza a ser explorada. Que a gentileza retira os limites ao respeito ou às regras.

 

Alguns podem até vir a pensar que têm algum poder por se darem com o treinador. Entrar no nível 2 das RELAÇÕES pode gerar muitas desilusões na carreira. Há quem se aproveite das relações para se melhorar a si mesmo, mas não quer saber do treinador ou da equipa.

 

Há quem use a relação com o treinador para melhorar-se a si enquanto atleta e ao treinador. Há quem utilize a relação como o treinador só para se exibir e esperar ganhar alguma coisa em troca no futuro, mas nada faz, nem assume a responsabilidade. Há quem utilize a relação com o treinador para a vida, nunca se aproveitando disso, como uma amizade.

 

  • Criar RELAÇÕES é um risco que precisa de ser ajustado, e não evitado.

  • Criar RELAÇÕES com intuito de ser mais eficiente, de ser excelente.

  • Criar RELAÇÕES vai ajudar a mostrar os seus pontos fracos.

 

Vai ajudar a tornar-se mais vulnerável com os atletas e pessoas envolventes. Mas isso precisa de ter uma intenção, de ser usado e bem usado. O objetivo não é mostrar perfeição mas antes criar credibilidade.

Vai ser difícil para treinadores que não são simpáticos.

Costumo dizer que existem 3 tipos de função. Os que trabalham independentemente de outros, fazendo o seu papel e não se preocupam com os outros, os que trabalham bem em equipa, ajudando os outros e por vezes desfocando o seu papel, e os que trabalham bem, lidando com os outros e fazendo o seu papel.

 

Os 3º são os líderes. Se não estás disposto a dar-te com pessoas que estão dentro dos atletas, então serás um excelente trabalhador independente, não um treinador, quanto menos um líder de nível 2.

 

Mesmo que não seja muito simpático, procure criar pontes subtis de ligação, procurando-se interessar pelos interesses dos atletas.

A liderança no nível das RELAÇÕES obriga o treinador a levar com o Porco e a não poder comer só o chouriço.

O atleta é muito mais do que os recursos que tem dentro de campo. É muito mais do que os remates, os passes, a técnica, o posicionamento, a tática ou a leitura estratégica. O atleta é um ser humano com emoções, com família, com namorada, com saúde e com interesses próprios. Disfunções, problemas e desafios. E o treinador tem de saber gerir isso em prol do maior rendimento possível do atleta. Chama-se compreensão e paciência.

Agora quero partilhar 3 ideias e convicções que te ajudaram a fazer uma escalada para o próximo nível 3 – PRODUTIVIDADE.

 

1. As relações, em si mesmas, não serão suficientes.

2. Para construir relações primeiro vem a compatibilidade e depois a intencionalidade (tornarmos compatível com interesses em comum e depois termos a intenção de manter essa relação)

3. Para concretizar uma visão é fundamental arriscar ter relações.

E por fim, um passo a passo de como melhorar a liderança de nível 2 – RELAÇÕES.

1. Ter a atitude certa com as pessoas certas.

2. Conhecer-se a si mesmo.

3. Saber o que prefere, relações ou produtividade, para não se perder em foco num deles e dar primazia aos dois.

4. Valorizar cada pessoa dentro de cada atleta

5. Entender a profundidade de relação com cada elemento da equipa, fazendo de 0 a 10 o nível de quanto sabe as motivações, o passado e o futuro que esse elemento quer.

6. Aceitar o atleta por inteiro, e não querer apenas os recursos que o atleta tem.

 

7. Criar um ambiente agradável para se trabalhar, treinar, competir.

8. Ouvir os atletas e as pessoas envolventes.

9. Dar coragem, motivando o atleta que precisa de ser desafiado ou apoiando o atleta que precisa de ser orientado.

 

10. Ser verdadeiro e autêntico.

 

Muito bem, ao longo desta lição 2, partilhei contigo os pontos de vista positivos de ter uma RELAÇÃO de treinador-atleta e com outros intervenientes, e também os pontos negativos.

 

Partilhei 3 ideias base para subir ao nível seguinte, e ficou um plano de acção, com 10 passos, para quem se quiser desenvolver continuamente como líder, agora num nível acima, no nível 2.

Este é o nível que representa verdadeiramente o primeiro passo da liderança, o nível 2 dos 5 níveis até à Autoridade Máxima de Liderança.

Na próxima lição (3), partilharei contigo um E-BOOK sobre o:

» PRÓXIMO NÍVEL DE LIDERANÇA DO TREINADOR «

 

Onde partilharei um sistema de treino na prática diária de como percorrer o trabalho nestes vários níveis, desde a saída da LIDERANÇA DE PROVEITO PRÓPRIO para a LIDERANÇA EM PROVEITOS DOS OUTROS, sempre em BUSCA DA AUTORIDADE MÁXIMA COMO TREINADOR.

Um abraço,

Carlos MSilva

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p.s- se quiseres conhecer os outros 5 níveis e ainda não fizeste o download do pdf que deixem no email passado com uma explicação rápida, deixo aqui o link: