• Carlos MSilva

Porquê que o Treinador tem Culpa na Derrota?

Atualizado: Jan 13

Se como por acaso, descobrisse que a derrota de um jogo está assente não na performance dos seus atletas mas na influência que fez e que levou os seus atletas a falhar?

Gostaria de saber como?




E se fosse possível ter acesso ao Funcionamento da Mente do Atleta para instalar as suas Tácticas com o mínimo de resistência possível da parte deles?

Acreditaria que isto seria possível?



Eu também não acreditaria.


Aliás, a primeira vez que ouvi ideias e conceitos sobre liderança numa Pós-Graduação que Treino de Liderança e Desenvolvimento de Equipas não acreditei e ainda me senti

  • atacado,

  • inconformado,

  • e até desconfortável.

1º (primeiro)

porque não estava a espera que, depois de ver os meus atletas a falharem, que isso pudesse ter sido influenciado pelas minhas palavras.

e 2º (segundo)

que houvesse a possibilidade de descobrir como a mente funciona ao ponto de poder dominar a minha comunicação de forma a manipular a cabeça de alguém.



No 1º caso, descobrir que eu poderia estar a provocar o erro de alguém (neste caso a minha comunicação poderia estar a levar ao erro dos meus atletas e por consequência a derrota ter sido com a minha contribuição) levou-me a duvidar do que me estavam a apresentar, porque não só era um ataque pessoal como me gerou um excesso de responsabilidade, pois tive este pensamento:

"se eu pudesse influenciar o erro dos atletas, então isso quer dizer que eu tenho um poder maior do que estava a espera e isso significa que a minha intervenção fora de controlo pode gerar derrotas".

No 2º caso (possibilidade de descobrir como a mente funciona), o facto de me dizerem que pudemos criar contextos de manipulação é muito grave, pois poderemos colocar atletas a fazerem coisas contra a sua própria vontade.

Quando pensava em manipulação, pensava naquelas lideranças utilizadas pelos grandes líderes da história como

  • Hitler

  • e Napoleão.

Mas rapidamente cheguei à conclusão, que a liderança é um acto para influenciar comportamentos, e que por isso, a liderança pode ser como uma faca:

  • a faca serve para matar

  • ou para cortar uma corda que nos está a prender e a limitar


Assim, a liderança mal utilizada, como os 2 intervenientes que falei em cima, pode levar à morte, ou pode levar à concretização de metas saudáveis como fez

  • Mandela.

A liderança é a mesma ferramenta, está a ser utilizada para fins diferentes.




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Mas como estaria a minha liderança ligada aos erros dos atletas ao ponto de me levar à derrota?

E como poderia eu como treinador manipular atletas a fazerem coisas contra a sua própria vontade?

Como poderia eu como treinador manipular atletas a fazerem coisas contra a sua própria vontade? Na questão B cheguei à ideia de que aquilo que seria a vontade dos atletas poderia não ser o melhor para ele e para a equipa.

Então ter um atleta com um comportamento egoísta e focado nele mesmo é algo que precisa de ser manipulado contra a sua própria vontade, para que jogue a favor da equipa, jogue a favor do seu maior potencial e conseguir ajudar a equipa a ganhar. Neste caso manipulá-lo seria algo que eu gostaria de aprender a fazer, pensei eu na época em que estava a fazer um treino de liderança e especializado em desenvolvimento de equipas em 2012.

Como estaria a minha liderança ligada aos erros dos atletas ao ponto de me levar à derrota? Na questão A, cheguei à ideia de que existem diferentes tipos de liderança que eu como treinador precisava de saber usar como um camaleão e que quando a minha equipa tinha uma necessidade por exemplo de desafio, eu não poderia ter uma intervenção desajustada, como ser mais mandão.

Vou procurar ser mais específico.

Imaginando que a minha equipa vai jogar contra uma equipa mais fraca teoricamente.

Isto quer dizer, que na minha ideia, na ideia dos meus atletas e na tabela classificativa, se estiver em 3º lugar e for jogar contra o último, teoricamente a equipa é mais fraca.

O que não quer dizer que na prática isso aconteça, porque eu posso perder o jogo.

Só que eu levo a semana a treinar como faço sempre e que me levou a estar nos lugares de cima, mas a equipa no aquecimento do jogo começa:

  • a dar risadas,

  • a ser lenta a responder à reacção à perda de bola no exercício de manutenção da posse de bola,

  • a olhar para o adversário e a ver que eles são mais pequenos do que pensavamos;

Então eu começo a identificar que a minha equipa tem uma emoção emoção negativa para aquele jogo e várias açções de insucesso.

Claramente a minha equipa está a passar-me a ideia de que está DESINTERESSADA para aquele jogo. E o expectável acontece.

Entramos a dormir, somos surpreendidos, e ainda por cima, chego ao intervalo empatado o que me parece até muito bom para aquilo que aconteceu na 1ª parte.

O que acontece de seguida?

  • descontrolo-me,

  • foco-me que estamos a brincar,

  • encho-me de revolta contra os atletas,

  • começo a gritar ou a mostrar a minha inquietação,

  • falo nas consequências de virmos a perder pontos,

  • dou-lhes dor...

  • quero que acordem, e ...

Começa a 2ª parte e eles não conseguem responder, parece que estão desligados e perdemos por 2-0.

A culpa é dos meus atletas.

Como pode vir alguém dizer-me que eu tenho responsabilidade nesta derrota? E se houver alguém a dizê-lo quero é que vá levar num sitio que cá sei.

Penso eu.

Mas ao final de me apresentarem umas ideias sobre as diferentes lideranças que se podem ter perante a mesma equipa de acordo com as suas necessidades, entendo que a liderança que eu dei é um estilo autoritário, controlador, que procura acordar os atletas, mas que faz o efeito contrário.

Se os atletas estavam desinteressados, a minha comunicação ainda provocou neles um simples desligar... e possivelmente nem ouviram 60% do que disse, porque estavam a pensar:

  • "mister, ganda seca",

  • "mister acha que não sei isso",

  • "mister já me basta ouvir os meus pais a gritarem ainda tenho que levar com esta encomenda"...

Na realidade...

Se um atleta está desinteressado, ele não precisa que lhe digam o que tem de fazer. Mesmo que seja com a melhor das atitudes, mesmo que seja num tom amigável.

Ele precisa de um líder que em vez de ser autoritário

lhe dê um desafio.

Um desafio que leve o jogador a não olhar para a dificuldade do adversário mas que

  • o compare a ele mesmo,

  • ou a outro que ocupe a posição dele noutra equipa

  • e ainda o pique a dizer que lhe falta alguns pontos (concretos),

  • mas que não sabe se ele é capaz de chegar lá.

No final das contas, quando aprendi os 4 estilos de liderança mais ajustados (ajustados ao quê?) à identificação da necessidade que passei a ver nas minhas equipas, comecei a ter mais resultados e deixei de ter atletas que faziam as coisas por medo, ou desinteressados, e faziam-no porque eles queriam.

Entendi que a minha comunicação era o ponto de ligação entre:

  • o que eu queria que eles fizessem

  • e o que eles precisavam de mim,

para entender que: fazer o que lhes iria ensinar seria ser bom para eles, apesar de estarem focados neles próprios.

E agora em Dezembro de 2019 recebi um convite da Associação de Futebol de Setúbal (Portugal)



para dar uma acção de formação com o tema de:

  • Persuasão para Ganhar



para ajudar treinadores a aprender sobre a forma

  • de persuadir,

  • de liderar,

  • de influenciar

os atletas a receber as suas tácticas apresentando menos resistências.

Foi a minha vez de partilhar um conjunto de tácticas para a comunicação do treinador, seja na apresentação dos exercícios, seja na palestra antes do jogo, seja quando o treinador esteja a fazer uma reunião com a equipa.

Ao partilhar várias estratégias de comunicação nessa acção presencial, percebi que existem vários treinadores que não poderiam estar presentes

  • devido a treinos,

  • devido a outros compromissos que tinham nesse dia,

  • outros simplesmente estavam noutra zona do país

  • ou fora dele e não poderiam estar presentes,

impossibilitando-os de ter acesso a todas as estratégias de influencia para as suas tácticas na comunicação enquanto líder.

Então decidi, gravar a acção de formação, para tornar possível

  1. o treinador que não quer continuar a influenciar a sua equipa para perder,

  2. e para o treinador que quer obter uma liderança mais eficiente.


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Um Abraço e Boas Aprendizagens. Carlos MSilva