• Carlos MSilva

quero ser principal, posso começar como 3º adjunto ou Scout?

Comentário de Abel Tiago no youtube no Canal Treinador PRO


Carlos, deixo uma questão:

1º Vamos supor que o nosso objetivo é ser profissional no futebol, cargo - treinador principal

2º Suponhamos que estamos a começar a dar pequenos passos na profissão de treinador e conseguimos um papel numa equipa sub13 de um clube local onde moramos. (Treinador adjunto).


Visto que estamos numa equipa local, a visibilidade do nosso trabalho é restrito e dificilmente vista por equipas superiores. No entanto conseguimos através de um contato um cargo na formação de um clube de primeira liga, p.e. 3º adjunto numa equipa sub13.


A grande questão é, visto que o objetivo é ser treinador principal, devemos nós ir aceitando estes cargos mesmo em clubes de grande dimensão e mesmo que o cargo não seja aquele que ambicionamos? Obrigado, abraço.



Começar por agradecer a sua questão.

Esta e outras questões são muito bem vindas e ajuda-me a mim também a ajudá-lo.

Poderá fazer questões sempre que quiser para que possa acrescentar mais valor para si.


Vamos lá então por partes.


O Objetivo final é ser Treinador Principal Profissional.

Para mim isso está claro.

O que não está claro é qual é o posicionamento a nível do escalão.


Se quer chegar à equipa de sub13 como principal num grande sendo profissional que tem um contrato e possa viver disso, ou se quer escalar para outros escalões.


Por isso, eu diria que um primeiro problema está na especificação do objetivo.

Quando um treinador não sabe especificamente qual o seu posicionamento encontra problemas a nível da estratégia para lá chegar.


É a mesma coisa que acontece num jogo, se eu não souber o objetivo que tenho para a minha equipa no próximo jogo, então eu terei dificuldade de montar uma estratégia vencedora.


Mas vamos partir do suposto que quer chegar a profissional nos sub13 como treinador principal.


Primeiro isto não quer dizer que vai matar alguém para lá chegar.

Simplesmente, o treinador dessa equipa pode ir para um projeto melhor (para ele) e isso significa que esse cargo precisa de si.


A forma de atingir esse objetivo é simples.

Simples não quer dizer fácil.

Pode ser difícil mas é simples.


Terá que definir aquilo que chamo de mapa de caminho, isto é, definir qual o passo a passo ao longo do tempo para chegar onde quer.


Esse mapa pode ser definido com vários caminhos.


MAPA: de terceiro elemento para treinador principal quer dizer que terá que fazer uma viagem.

essa viagem pode ser,

  • fazer 1 ano de 3º elemento e depois chegar a adjunto direto pela demonstração de competência.

  • conhecer pessoas em outros clubes com networking, como 3º elemento de uma equipa e no ano seguinte ser convidado para pegar numa equipa da mesma divisão.

  • chegar a outro escalão sub15 como 3º elemento, e depois ser convidado a pegar nos sub13 como principal.

de todas estas possibilidades, terá que definir qual o seu percurso, pode até ser outro qualquer que seja o que fizer mais sentido para si.


Normalmente é difícil estabelecer um mapa porque o treinador não quer limitar-se no caminho, quer ter todos os caminhos em aberto.

Tudo pode acontecer na sua mente.

Mas isso é a pior estratégia.


É como se definisse que todos os atletas da sua equipa podem subir no campo quando tem a bola, porque qualquer um poderá fazer golo...


...mas isso dificilmente criará uma estratégia de posicionamento como treinador e gerar acções claras do que fazer e quando fazer.


Por exemplo, se escolher o primeiro caminho: "fazer 1 ano de 3º elemento e depois chegar a adjunto direto pela demonstração de competência..." a estratégia para que isto aconteça é completamente diferente das outras. Neste caso, precisará de estratégias de persuasão do treinador principal, para lhe mostrar a sua competência.


Enquanto que no ponto 2, "conhecer pessoas em outros clubes com networking, como 3º elemento de uma equipa e no ano seguinte ser convidado para pegar numa equipa da mesma divisão" ...precisa de estratégias de persuasão dos diretores, para lhes mostrar a sua competência.


Já para não falar da metodologia que tem de ter para criar resultados, os seus resultados.

Isto quer dizer que quando esse convite acontecer, o treinador deve ter uma metodologia pronta para começar a aplicar.


E se não tiver uma forma rápida e organizada de montar uma metodologia como ensino no Programa Profissão Treinador, provavelmente começará a época preocupado a construí-la desfocando-se da obtenção de resultados. É como se o jogador fosse para o jogo focado em aplicar pela primeira vez uma tática que o treinador lhe deu, e nunca treinou ou experimentou no treino.


Aqui neste caso, o treinador que vai aplicar a sua metodologia e ela não está pronta (mesmo que não a tenha aplicado, ela deverá estar organizada para ser aplicada), esse treinador irá colocar toda a sua concentração em organizá-la ou aplicá-la a 1ª vez que não estará concentrado em colocá-la a gerar resultados logo a pronto.


É como o atleta que ainda está a aprender a finalizar mas ainda não está pronto para lhe cobrarem uma eficácia de 8 golos em 10 remates, pois ainda está a aprender a bater com o peito do pé na bola.


Então resumindo,


1. POSICIONAMENTO

o primeiro passo é definir um posicionamento específico onde quer chegar.


2. MAPA

o segundo passo é definir um caminho de


2.1 um mesmo posicionamento (sempre como 3º elemento) e quais as equipas onde quer entrar.


2.2 ou com diferentes posicionamentos (hoje 3º elemento, na próxima época 2º elemento, na 3ª época treinador principal) e quais as equipas onde quer entrar, até chegar ao seu objetivo.


3. METODOLOGIA

o terceiro é ter uma metodologia específica organizada que gere resultados em cada um desses posicionamentos por cada época.

Este terceiro passo será mais difícil quanto mais mudar de posicionamento, porque está sempre a começar do zero numa "metodologia" para uma nova posição dentro da equipa técnica.


Metodologia não é apenas as questões táticas, metodologia é um conceito amplo que incluí:

  • as suas funções,

  • as suas tarefas,

  • os resultados que vai gerar na sua posição,

  • o passo a passo, ou seja a sequência de tarefas que terá que exercer ao longo da semana,

  • a forma como faz cada um dos passos,

  • os conteúdos (táticos, físicos, ou outros que dependem da sua especialidade)

  • a avaliação quantitativa dos seus resultados,

  • a criação de provas dos resultados que consegue gerar,

  • a distribuição dessas provas para quem quer mostrar a sua competência em rede de networking,

  • entre muitos outros... específicos do posicionamento que adoptar.


Assim, dá para ver que quanto mais se especificar num posicionamento, ou seja,

  • 3º elemento,

  • adjunto físico,

  • adjunto tático,

  • adjunto comportamental,

  • treinador principal...

menos quantidades de metodologias terá que criar, e apenas terá que se aperfeiçoar na sua metodologia ao longo do tempo.


Tal como eu me especializei como adjunto tático-comportamental e criei uma metodologia de treino humanística designada de Periodização Situacional e Transformacional (em vez de utilizar a antiga Periodização Tática, como fiz em 2009).


Hoje em dia, quando entro numa equipa como 3º elemento, adjunto tático-comportamental é só aplicar a metodologia que já venho a aperfeiçoar desde 2007 e que me tem dado resultados como:


  • 1º Lugar no Apuramento à CAN 2019 (Campeonato das Nações Africanas) 2019

  • 100% vitórias no Campeonato - Invicto em Sub18 e Sub20 - em 2019

  • 1º Lugar no Campeonato de Portugal - Seniores - em 2015

  • 5º Lugar na 2ª Divisão B de Portugal - Seniores em 2013

  • Subida de Divisão de Juniores ao Campeonato Nacional em 2014


4. MOSTRAR RESULTADOS

o quarto passo é conseguir mostrar os resultados obtidos na sua especialidade às pessoas que precisa.


Quanto mais específico for o seu posicionamento, mais claras serão as pessoas que terão que conhecer o seu trabalho.


Quanto mais mudar de posicionamento, mais variabilidade e abertura de pessoas terão que conhecer o seu trabalho, logo mais dispersa será a sua capacidade de influência directa.


Esse percurso deverá ser escolhido por si.


Se quer a minha mais clara opinião.


Sem que EU assuma qualquer responsabilidade pelas SUAS decisões.


Diria:

Se quer ir para a formação.

Trace um caminho como treinador adjunto e depois assuma um projeto como principal onde as pessoas já o conhecem (com uma boa metodologia os seus contatos facilmente farão esse convite).


Por exemplo, eu como 3º treinador adjunto dos seniores no SU1ºDezembro no Campeonato de Portugal, poderia ser facilmente convidado para treinador dos Juniores, como principal.


Se quer ir para a alta-competição.

Trace um caminho de scouting, crie relacionamentos, entre na equipa técnica e depois assuma um projeto como principal onde as pessoas já o conhecem. (com uma boa metodologia os seus contatos facilmente farão esse convite).


Sempre que ganha conhecimentos dentro de um clube de alta competição, os níveis de baixo irão querer o seu trabalho, mesmo que tenha sido scout. É a existência da Autoridade "fictícia do clube" ou do "treinador que acompanhamos".


Por exemplo,

um Scout do Mourinho no Chelsea poderá vir a ser treinador principal no F.C.Porto (Villas Boas).

um Scout no F.C.Porto, poderá vir a ser treinador principal no Leixões. E assim, sucessivamente...



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Um Abraço e Boas Aprendizagens,

Carlos MSilva