• Carlos MSilva

Treinador Analfabeto que não quer Sê-lo

Atualizado: 26 de Nov de 2019

Sobre a formação contínua dos treinadores:


Os treinadores não reclamam que tenham de fazer formação. Eles sabem, e só podem saber, que a formação contínua é uma ferramenta para não se cair no analfabetismo da nossa época. No passado, o analfabeto era associado a quem não sabia ler ou escrever. Hoje, o analfabeto é quem não se actualiza numa era da informação onde as ideias anteriores caem por terra em poucos anos e novas informações e novas formas de fazer as coisas surgem todos os dias até pela maior partilha que existe dos trabalhos de cada um. Um exemplo disso é a periodização tática que ainda está em altas mas que já existem novos métodos que a complementem como a Periodização Situacional. Os treinadores que normalmente podem reclamar da formação contínua ou mesmo da formação inicial, é terem que a fazer com formadores menos competentes. Porque os treinadores (lá no fundo) sabem que eles são como um IPOD. O treinador que fez o curso à 30 anos, nem ipod existia, hoje 6 em 6 meses sai uma versão nova de um ipod. Agora imaginem que o treinador não se renovava durante 5 anos, que tipo de treinador seria? Seria esse tipo de treinador que os nossos filhos deveriam apanhar na escola de formação? ou continuar a apanhar treinadores que ainda fizessem treinos a subir bancadas (esse treino já foi aprendido em formações desatualizadas, mas que eram válidas à uns anos atrás). Daqui a 10 anos, a periodização tática já estará ferrugenta, e a periodização situacional estará em altas, e uma nova periodização começa a emergir. É o ciclo de vida da informação, dos treinadores, dos ipods e de tudo. Por isso, acredito que a formação contínua é importante, desde que nós consigamos encontrar os melhores formadores para aprender coisas inovadoras que nos impeçam de cair no analfabetismo físico-técnico-tático-estratégico-situacional.

Procurar apenas por entidades que favoreçam a competência, irá quebrar o ciclo vicioso das formações más, dos formadores viciados, e da procura de créditos por créditos, para entrarmos na inovação do treino, da partilha de conhecimento atualizado e quebrar o medo de ficar para trás dos outros.

Começar por aqui, pela procura de apenas as formações que têm formadores que dão tudo, sem medo, porque fazem a formação para os formandos e não para os créditos e o valor que irão receber por não estarem no treino.

Ideia e Questões partilhadas:


Paulo Carvalho

E quando não ser "analfabeto" tem custos que não se coadunam com o amadorismo presente em grande parte do que é o desporto português? Quanto à evolução, esta sempre existiu e ainda muito antes da obrigatoriedade da formação contínua. A formação contínua, numa classe em que muitos dos seus membros já fazem imensos sacrifícios, pouco sentido faz se não for gratuita. Só faz sentido para quem consegue encará-la como um verdadeiro negócio.


Carlos MSilva

  • Olá Paulo, começar por agradecer o seu comentário e dizer que são apenas ideias que estão a ser trocadas neste meio de comunicação. Agradeço mais uma vez.

  • Uma ideia é que concordo que existe um conflito quando se misturam atividades de negócio e atividades de amadorismo.

  • Fui ver ao wikipédia o que significa negócio e encontrei a definição de que é a captação de recursos financeiros a fim de gerar bens e serviços (treinos e competições).

  • Neste sentido leva-me à ideia de que para se fazer uma atividade amadora não se precisa de captar os recursos (dinheiro) dos atletas envolventes e para isso não precisa de estar inscrito numa associação ou federação o que me leva a questionar se para fazer essa atividade precisa de créditos.

  • Agora se existe captação de recursos financeiros dos atletas ou do estado, para a realização de uma atividade então também é um negócio. Esse negócio, e sei que já andei na prática, pode ser mal pago pelas entidades ou clubes, direcções e coordenações, e também pelos treinadores que se sujeitam a aceitar serem mal remunerados para fazerem o que gostam de paixão.

  • Nesse caso, é uma escolha do treinador estar nesse contexto. A atividade quer de formação de atletas que pagam como a formação dos treinadores que querem estar ativos numa atividade que é paga é um negócio. Entrar numa troca de ideias se é mal remunerado ou não, isso será outro assunto que poderemos abordar em outro post.


Carlos Afonso

Pergunta : Quem faz 30 ou 40 jogos oficiais por época não tem direito a créditos porquê?

Quem melhor que os que andam no terreno para ensinar os jovens?


Carlos MSilva

  • Olá Carlos, confesso que nunca tinha visto esse ponto de vista. É uma ideia interessante para mim. Obrigado pela sua partilha.

  • Entretanto surgem-me algumas questões, será que esses 30 ou 40 jogos geram aprendizagens novas ao treinador de uma forma auto-didata?

  • Será que o treinador nessa época consegue melhorar ou está a repetir a experiência do que sabe dentro de um ciclo de aprendizagem fechado, o qual trás valor à importância de ser acompanhado por mentores?

  • Acredito que essa ideia poderia ir para a frente, se esse treinador partilhasse com outros treinadores aprendizagens que ele próprio gerou.

  • E isso já existe em eventos de formação que dá créditos, porque ainda ontem assisti a um evento online de apresentações livres de treinadores que se inscreveram para falar para outros treinadores, e que me deu acesso a créditos, e o valor foi baixo de 10 euros.

Bons trabalhos e boas aprendizagens.

Abraço, Carlos MSilva


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