• Carlos MSilva

VAMOS para cima deles!

Atualizado: 26 de Nov de 2019

VAMOS para cima deles! (3 minutos para ler)


Coach!

Num post anterior, "(Após sofrer um golo, vamos atrás do Resultado)" falamos sobre a incoerência que pode existir quando não acreditamos nas nossas capacidades.


É como se existisse uma limitação nas nossas convicções (ideias pré-concebidas sobre algo ou alguma coisa) sobre a nossa capacidade de conseguir produzir um jogo ofensivo, por exemplo, contra uma determinada equipa. Um exemplo disso foi o jogo da Coreia do Sul x Suécia, em que a Coreia apenas no final do jogo, após estar a perder, recriou uma estratégia de ataque criando várias situações de finalização.


De referir, é que antes de estar a perder não tinha feito muito por atacar.

Várias conclusões se podem tirar deste exemplo e partilho contigo algumas ideias neste post:

https://www.treinadorpro.com/blog/apos-sofrer-golo-vamos-atras-do-resultado


Só que o que não falamos é que o exemplo contrário também pode acontecer.

Isto é, o treinador pode ter uma distorção das suas ideias relativamente à capacidade da sua equipa.


O treinador pode achar que a sua equipa tem mais capacidades e exigir demais dela, sem se aperceber que está a fazer isso. E isto pode surgir como um claro problema. Imagina o seguinte:


O treinador chega perto da equipa e afirma: "Vamos para cima deles! Vamos montar uma estratégia para ganhar este jogo sem dar qualquer hipótese ao adversário". E isto não quer dizer que esteja mal. O que pode não funcionar é dependendo do tipo de adversário, do que os atletas acreditam sobre esse mesmo adversário, e do que os atletas acreditam sobre a sua capacidade X a capacidade do adversário.


Vamos recriar um cenário prático:

Uma equipa da 3ª divisão vai disputar a taça com uma equipa da 1ª Liga.


O treinador da equipa da 3ª divisão chega ao balneário no dia do jogo e diz: "Vamos para cima deles! Vamos montar uma estratégia para ganhar este jogo sem dar qualquer hipótese ao adversário".


E tudo bem, o problema vem depois, ou seja, se os atletas não acreditarem nisso, os atletas vão olhas uns para os outros e dizer: "está maluco", mas pior do que isso, é surgir alguém dentro do balneário que tome as rédeas do "jogo" e comece a definir uma estratégia diferente do que foi estabelecida pelo treinador. Imaginando que o capitão reune 4 a 5 atletas dos mais influente e diz: "vamos com calma, fechamos e colocamos a bola no X para segurar e depois subimos para fazer contra-ataque".


E pronto iniciou-se uma separação entre aquilo que os atletas acreditam e aquilo que o treinador acredita, porque o treinador não soube regular o excesso de confiança dele mesmo, na sua capacidade de treinar e gerir aquela equipa.



Um outro exemplo do excesso de sobrevalorização são treinadores que acreditam que com pouco podem fazer muito. Isto é, que não precisam de grandes atletas para conseguir apresentar resultados.


Que só porque conseguiram, uma vez, reproduzir bons resultados com uma equipa média, conseguem (eles próprios) reproduzir esses mesmos resultados sem ter em conta a qualidade dos atletas que vão buscar. Procurando atletas normais, e abaixo do que seriam os ideais para eles mesmos atingirem resultados acima da média.


Assim, por acreditarem em excesso neles mesmos, esses treinadores cometem um erro que em pouco tempo os vai frustrar, e vai frustrar quem trabalha com eles, ou mesmo os seus superiores.


E eles colocam-se nessa situação porque querem provar ou a si mesmos ou aos outros que são capazes de ter resultados apesar de não terem pessoas fortes à sua volta, com o intuito de se fazerem sobrevalorizar.


Há que ter em conta que os treinadores fazem uma parte do trabalho. Há que ter em conta que os atletas fazem outra parte do trabalho. E a combinação entre o que o treinador acredita, e o que o treinador faz, juntamente com o que os atletas acreditam e o que podem vir a conseguir aplicar é o que faz alguns resultados aparecerem.


Quando achamos que só a nossa qualidade como treinadores pode funcionar para extrair grandes resultados e que não entra na equação a capacidade dos atletas, então estamos metidos numa guerra que vai nos obrigar a saber gerir muito bem as nossas emoções pois cairemos brevemente em níveis elevados de frustração e culpa.


E essa intenção até pode ser boa, porque queremos ajudar o clube a balancear as contas com atletas mais baratos... mas também pode ser um tiro no pé não ter exigência com atletas mais fortes e efectivar realmente bons resultados que esses sim, vão facilitar o reconhecimento e a valorização das capacidades.


4 Ideias Fundamentais:

  1. Saber gerir as nossas convicções enquanto treinador;

  2. Saber gerir as convicções dos outros, atletas e directores;

  3. Saber regular as nossas e as dos outros no mesmo sentido;

  4. Saber regular as nossas perspectivas sobre a nossa capacidade de resultados pois os resultados dependem também dessa pessoas, e não apenas de nós mesmos.

Um abraço,

Até ao próximo post.

Carlos MSilva


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